Carta aos pacientes
O que guia o meu trabalho
Quando alguém procura meu trabalho, geralmente existe alguma coisa que gostaria de melhorar. Às vezes é algo muito específico. Em outras, é apenas a sensação de que alguma coisa mudou e já não corresponde à maneira como aquela pessoa gostaria de se perceber.
Meu primeiro compromisso não é responder imediatamente com um procedimento. É compreender.
Acredito que a estética começa na escuta, na observação e na tentativa de entender não apenas aquilo que incomoda, mas a pessoa que está diante de mim, sua história, suas características, suas expectativas e aquilo que deseja preservar.
Por isso, cada tratamento precisa ser individual. Podemos organizar processos, critérios e protocolos de segurança, mas não podemos padronizar pessoas. Para mim, cuidar esteticamente de alguém não significa aproximá-lo de um modelo ideal, mas compreender o que pode ser feito respeitando sua identidade.
A Pré-Análise Estética abre as portas para essa relação. É o primeiro momento em que consigo conhecer melhor o que trouxe aquela pessoa até mim, suas principais questões e começar a construir um olhar sobre o caso.
Mas é no nosso encontro de avaliação que efetivamente compreendo o conjunto. É quando examino, escuto, observo e determino, junto com o paciente, o que faz sentido tratar, o que deve ser priorizado e também aquilo que não precisa ou não deve ser feito.
Fotografias, formulário e relato oferecem informações importantes, mas não substituem o encontro clínico e a avaliação.
A partir daí, construímos um planejamento.
Meu trabalho segue uma lógica simples: avaliar, planejar, executar e acompanhar. Avaliar antes de decidir. Planejar antes de intervir. Executar com segurança. E acompanhar porque o cuidado não termina quando um procedimento termina.
Essa forma de trabalhar está ligada ao que entendo por uma estética integrativa. Significa olhar para uma questão específica sem perder de vista a pessoa como um todo e reconhecer que anatomia, história, hábitos, características da pele e dos tecidos, tratamentos anteriores e expectativas podem interferir nas escolhas que fazemos.
Também significa compreender que nem tudo precisa ser tratado, nem tudo precisa ser tratado imediatamente e nem todo desejo inicial precisa resultar na intervenção imaginada pelo paciente.
Saber indicar é importante. Saber não indicar também é.
Segurança está acima da realização de qualquer procedimento. Transparência também faz parte desse compromisso. Quero que meus pacientes compreendam o que estamos propondo, por que estamos propondo, quais resultados podem ser esperados e quais são os limites de cada tratamento.
A naturalidade ocupa um lugar importante nessa forma de pensar. Para mim, ela não significa necessariamente fazer menos. Significa fazer o que é adequado sem apagar a identidade da pessoa.
Esse modo de trabalhar exige estudo permanente. Minha prática clínica e minha atividade como professora fazem parte do mesmo caminho. O ensino me leva a estudar, questionar e revisar conceitos, enquanto a prática traz novas perguntas para o estudo.
Acredito em uma estética fundamentada em conhecimento, evidências científicas, experiência clínica, responsabilidade e respeito à individualidade.
Quero que quem chegue até mim se sinta acolhido, informado e ouvido. Que possa falar sobre aquilo que o incomoda sem julgamento, compreender as possibilidades reais de tratamento e participar das decisões.
É essa a maneira como escolhi exercer meu trabalho.
Padronizamos processos e segurança. Individualizamos a indicação e o tratamento.
Porque procedimentos podem se repetir.
Pessoas, não.
Ana Carolina Mendonça
Biomédica UFF · Pós-graduada em Estética · Mestre pela Fiocruz · CRBM 02589 · Professora universitária e de pós-graduação
